O que vem depois da transformação digital?
O assunto mais comentado nas principais salas de reunião das grandes e tradicionais empresas no Brasil e no mundo, é a tal da Transformação Digital (TD). Você já deve ter ouvido só nesta semana 647 vezes sobre o tema, e o quão é essencial para sua empresa sobreviver, certo?
Salas de treinamento lotadas, cabeças brancas se reinventando, paradigmas sendo questionados, consultorias especializadas sendo criadas, investimentos sendo feito, e estamos todos remando rumo ao novo ápice do capitalismo moderno.
A TD é conceituada por muitos como um fenômeno que incorpora o uso da tecnologia para solução de problemas tradicionais. Indo mais a fundo, entende-se que não somente o uso da tecnologia lhe levará à uma verdadeira transformação, mas que é preciso incorporar uma nova metodologia de trabalho, mais flexível, dinâmica e produtiva. Aqui entram as metodologias ágeis – ou como os gringos dizem “Agile” (lê-se “adjail”) – como: Scrum, Squads, Lean, Kanban, dentre outras dezenas. Se pararmos por aqui, cobriremos 99% das iniciativas executadas pelas empresas que estão se transformando digitalmente. Isso possivelmente traz um ganho de produtividade interessante, talvez uma melhora no engajamento do time e uma relativa proximidade com seus clientes e consumidores.
Honestamente para mim, isso deveria ser no máximo 20% do que se deve fazer para uma real e profunda transformação digital.
Como diria Peter Drucker:
“A cultura come a estratégia no café da manhã.“

A transformação tem que ser muito mais do que digital.
Tem que ser uma transformação cultural e de mindset! Não adianta colocar um tobogã e piscina de bolinhas no escritório, desenvolver uma intranet hipster cabulosa com cara de rede social, permitir que funcionários levem seu pet pro trabalho ou adotar a bermuda as sextas, se você continua tendo uma série de processos burocráticos, papelada para todo lado e precisar pegar 5 aprovações para aumentar sua cota de impressão.
Percebe o quão superficial será a transformação, se ela não transformar verdadeiramente as camadas mais profundas da organização?
Tem que fazer um update no chip mesmo, tipo uma atualização de software, e em últimos casos de hardware também.
Talvez você já tenha ouvido ou lido isso, certo? Mas calma lá cara pálida! Sei que o mundo VUCA quer que você vá para o próximo artigo, mas o que tenho a dizer ainda está por vir.
TÁ BOM, MAS ENTÃO O QUE VEM DEPOIS DA TRANSFORMAÇÃO DIGITAL?

Suponhamos que sua empresa implementou a tão desejada TD. Instalou o tobogã, implementou a estrutura de trabalho por Squads, bermuda liberada na sexta, os executivos old school se modernizaram e vocês têm uma ferramenta de machine learning que lhe conectou ainda mais com seus clientes. Chegamos ao futuro, certo?
Aparentemente sim, pelo menos é o que se diz até agora.
Mas quer saber a minha opinião? Isso é o básico se você quiser sobreviver no modelo atual de negócios. Me perdoe a sinceridade, mas você não fez nada demais a não ser recuperar um tempo perdido e se conectar ao presente, não ao futuro!
Daqui uns anos, perceberemos que isso foi só mais um pequeno passo na evolução, e em como éramos primitivos nas nossas relações comerciais.
Não adianta a sua empresa ganhar essa produtividade e se conectar mais profundamente com o cliente, se ela não faz exatamente o que o seu cliente precisa, mas sim o que seus acionistas e executivos querem, baseados em seus interesses pessoais e financeiros.
“Precisamos urgente de uma Transformação Empática!”
Todos estamos acompanhando a transformação que os bancos digitais estão causando nos bancos tradicionais e em nós como consumidores. Antes tínhamos um péssimo serviço, com atendimento tão ruim quanto, e nos cobravam caro por isso. Os bancos digitais vieram para te dar de graça um serviço um pouquinho melhor e com um atendimento ok. Não conheço ninguém que tenha recebido uma grande notícia de um banco, ou que esteja pulando de felicidade por ter um cartão roxo e não pagar tarifas. O sentimento é de alívio, como se tivessem tirado uma das bolas de ferro que o “Brasilzão de Meu Deus” nos coloca nos pés.
Cá pra nós, neste quesito acabamos de sair da Idade Antiga para a Idade Média em alguns segmentos como o bancário, seguros (em andamento), contábil (já ouviu falar da Contabilizei?), dentre alguns outros poucos.
Os bancos digitais, representam a transformação digital em sua essência. São ágeis, enxutos, trabalham “multifuncionalmente”, tem um “q” de customer centric se dizendo conectados com seus clientes (será?) e estão embrulhados em um friendly & funny marketing. Enfim, talvez seja o melhor que podemos ter hoje em mãos. \o/ \o/ \o/
Pra mim não basta. Mais do que isso, já é coisa de um breve passado que está por vir. Estamos apenas tirando o atraso, porque o mato tava alto pra cacete.
Eu quero mesmo é ver um banco que quando a taxa de juros cai, me contata pra dizer que a taxa de juros do meu financiamento também foi reduzida! Quero que quando ele perceba que estou investindo errado, me oriente em como fazer certo, e não me cobre uma taxa de administração de 5% num fundo que rende 6% ao ano.
Eu quero ver a Coca-Cola parar de usar substâncias que te viciam e fazem consumir cada vez mais seus produtos, e abolir os 7 sachês de açúcar que contém em uma lata para disfarçar o gosto do produto. Quero ver desenvolverem um produto saudável e funcional, te estimulando a consumir algo que te faz bem e não mal.
Quero ver a NET me ligar para me ofertar um desconto no meu pacote, porque tiveram um ganho significativo de produtividade, uma interessante redução de custo ou uma baita negociação com seus fornecedores.
Quero que a TIM me ofereça, sem eu precisar pedir, implorar ou ameaçar um cancelamento, as mesmas condições que dão para atrair clientes novos. Quero ver o sistema parar de cair quando quero cancelar meu plano, e fazer isso de forma automática e digitalmente, afinal é nesta era que se dizem estar.
Entende onde eu quero chegar?
Onde as empresas são realmente centradas em seus clientes, e se preocupam genuinamente com o que é melhor pra ele. Não somente no comercial com um storytelling lindo que diz que se preocupa contigo, mas nas reuniões de Marketing estão criando planos pra te deixar viciado ou dependente de seus produtos/serviços, seja por uma formulação, ou por um “contrato de fidelidade”. Onde elas são fair play e trabalhem com uma margem justa, independente de serem líderes ou estarem sozinhas no mercado.
Definitivamente todos nós topamos pagar por produtos e serviços, sabendo que as empresas que os ofertam tenham lucros em cima de nós. Mas que esse preço, venha com uma oferta genuína de quem nos quer melhor e evoluindo, e não que tentem nos enganar para aumentarem suas margens e suas vendas.
É isso que eu chamo de Transformação Empática!
Quando as empresas deixarem de apenas comunicaram o quanto são boazinhas, e verdadeiramente serem, com o interesse genuíno de ajudar seus clientes e consumidores com uma oferta clara, sem letras miúdas, entregando valor e de forma justa.
Você pode até achar maluquice ou pensar que isso não ocorrerá.
Pelo o que tenho estudado do comportamento de consumo das novas gerações, a minha dúvida não é se ocorrerá, mas quando ocorrerá!
